sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Críticas do Carteia da Passada Quinzena (2).


Título: Cinema Paraíso (Cinema Paradiso)

Ano: 1988

Realização: Giuseppe Tornatore

Elenco: Antonella Attili, Enzo Cannavale, Isa Danieli, Marco Leonardi, Pupella Maggio, Agnese Nano, Leopoldo Trieste, Salvatore Cascio, Roberta Lena, Jacques Perrin, Brigitte Fossey e Philippe Noiret

Género: Comédia e Drama

País: Itália, França

Produção: Franco Cristaldi e Giovanna Romagnoli

Argumento: Giuseppe Tornatore e Vanna Paoli

Música: Ennio Morricone

Fotografia: Blasco Giurato

Montagem: Mario Morra

Sinopse/Crítica:

Numa palavra, Cinema Paraíso é magia. A magia do cinema, da fita das grandes emoções humanas impressas como nenhuma outra arte consegue fazer. A arte de todos para todos. Mas Cinema Paraíso é muito mais do que isso. É a história de um grande amor perdido mas nunca esquecido, do regresso às origens, da verdadeira jornada da vida. Uma história que nos emociona, nos toca bem lá no fundo e é também uma história sobre cinema e sobre a própria história do cinema. Não é por acaso que este filme ganhou o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1989.
Salvatore Di Vita é um prestigiado realizador italiano em Roma, que após 30 anos, regressa à sua vila siciliana natal a fim de comparecer ao funeral do seu grande amigo Alfredo, projeccionista do antigo Cinema Paraíso, do qual também chegou a ser projeccionista. Esta viagem irá fazê-lo recordar toda a sua vida, desde a infância até ao momento que partiu para a Cidade Eterna.
O filme é muito bem contextualizado. A acção decorre entre o final da 2ª Guerra Mundial e os anos 80 e o espectador apercebe-se dessa passagem do tempo principalmente através da evolução da tecnologia do cinema, isto é, dos diferentes projectores, da qualidade da fita e das suas projecções. É igualmente interessante ver o papel da censura presente no inicio do filme pela figura do padre, como o guardador da moral e dos bons costumes, que procedia à visualização de cada filme antes de toda a população, a fim de proceder aos cortes necessários.
O filme homenageia grande parte da história do cinema, principalmente o grande movimento do cinema italiano, o Neo-Realismo e as grandes produções americanas, nomeadamente as da época dourada de Hollywood. Os antigos cinemas e cineteatros são outros dos homenageados. Estes edifícios antigos que albergavam (e alguns ainda albergam) os cinemas são um património histórico da humanidade que deve ser preservado e modernizado com todas as condições necessárias para uma projecção de qualidade. Algo que não é feito na maioria dos casos, pois mais altos interesses económicos se levantam.
Uma palavra especial para a música de Ennio Morricone, esse compositor italiano fantástico, que ajuda o espectador a conectar-se com a história e a fazer parte dela.
O filme fala também o eterno lugar-comum do cinema, as histórias de amor. E termina exactamente com o amor pelo cinema: o beijo dos actores projectado na tela.
Cinema Paraíso é um doce mais doce que um doce, uma obra-prima que nos mostra aquilo que o cinema ainda é, e será sempre: magia.

5 comentários:

Roberto F. A. Simões disse...

CINEMA PARAÍSO é um hino e uma homenagem à arte maior do cinema. Um filme excelente, de muito bom humor, com uma realização inspiradíssima de Giuseppe Tornatore. «Delicioso».

Roberto F. A. Simões
cineroad.blogspot.com

Yan disse...

consegues fazer melhor do que esta crítica. eu sei que sim.

Carlos disse...

Sim. Eu sei que consigo. Quero recuperar a minha melhor escrita.

Armando Maynard disse...

Cinema Paradiso retrata o amor do Gioseppe a esta arte que reune todas as outras, não faltando ao filme nenhum detalhe. Um que me chamou atenção foi o do funcionário transportando de bicicleta a parte (lata) do filme que acabara de ser projetado em um cinema, e a levava para o outro que exibia o mesmo filme com uma só cópia para os dois. Isso acontecia muito em minha cidade Aracaju-Se., na década de 60, sexta feira da paixão (Semana Santa), quando era exibido o filme "A Morte de Cristo", cuja cópia pertencia ao proprietário de dois cinemas. Um abraço, Armando [fetichedecinefilo.blogspot.com]

Carlos disse...

Texto publicado na edição de 15 de Janeiro de 2009 do jornal Carteia.