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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Nomeados aos Óscares 2012.

Blogue de cinéfilo sem falar de Óscares não é blogue.
Dia 26 de Fevereiro veremos quem ganha. As nomeações: aqui e aqui.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Cinema é no Carteia.

Todas as quinzenas, o jornal Carteia apresenta as suas sugestões de cinema, para ver nas salas e no conforto da sua casa. Por mim.


Título: Tempestade Tropical (Tropic Thunder)

Ano: 2008

Realização: Ben Stiller

Elenco: Ben Stiller, Jack Black, Robert Downey Jr., Nick Nolte, Brandon T. Jackson, Steve Coogan, Danny McBride, Bill Hader, Jay Baruchel, Brandon Soo Hoo, Matthew McConaughey e Tom Cruise.

Género: Comédia, Acção e Guerra

País: E.U.A. e Alemanha

Produção: Stuart Cornfeld, Eric McLeod, Ben Stiller e Justin Theroux

Argumento: Ben Stiller, Justin Theroux e Etan Cohen, com história de Ben Stiller e Justin Theroux

Música: Theodore Shapiro

Fotografia: John Toll

Montagem: Greg Hayden

Sinopse/Crítica: São poucos os filmes feitos dentro da indústria de Hollywood e dos seus grandes estúdios que ousam criticar os seus pares, de forma tão directa e contundente, com tudo o que isso tem de bom de mau, satirizando as situações ao expoente máximo. Este é um deles.

Tugg Speedman (Ben Stiller), Jeff Portnoy (Jack Black) e Kirk Lazarus (Robert Downey Jr.) são as grandes estrelas do momento. Os três são contratados para protagonizarem o maior e mais caro filme de Guerra sobre o Vietname. Mas nem tudo são rosas. O realizador estreante Damien Cockburn (Steve Coogan) não consegue controlar as suas estrelas, o que provoca atraso nas filmagens e custos elevados ao estúdio, levando o produtor Les Grossman (Tom Cruise) a cancelar o projecto. Mas o realizador não cede. Determinado a acabar o filme, leva os actores para a selva, onde serão filmados por câmaras ocultas. Porém, o filme que eles pensam estar a fazer, depressa deixa de ser um filme e aí é que as coisas se complicam.

Depois de Zoolander (2001), o seu último trabalho com realizador, Ben Stiller regressa como autor, onde aborda as grandes questões inerentes a uma grande produção fílmica, dando uma visão crítica muito interessante sobre a indústria cinematográfica. A importância do dinheiro dos grandes estúdios continua a ditar as regras na realização das obras. Os critérios de selecção da Academia americana na entrega dos seus prémios, os famosos Óscares, continuam a suscitar dúvidas. Uma visão satirizada das instituições, que nos dá uma ideia de como tudo funciona, ainda que ligeira. O realizador consegue aqui juntar um bom material cómico a um excelente elenco de actores, todos eles conhecidos do grande público, onde se destaca claramente Robert Downey Jr. (a provar que já deixou a má vida) e onde vemos Tom Cruise como nunca o vimos antes.

Existem outros aspectos interessantes nesta película. A referência aos grande filmes de guerra do passado, em especial, aqueles que abordam a guerra do Vietname, com apropriação justificada das suas cenas mais emblemáticas. Os dois exemplos mais óbvios são Apocalypse Now (1979) e Platoon (1986), embora haja cenas tiradas de outros, como O Resgate do Soldado Ryan (1998) ou A Ponte sobre o Rio Kwai (1957). A selecção musical é muito boa, pois consegue juntar um número de canções excelentes dos finais dos anos 60, princípios de 70, altura em que o conflito no Vietname se intensificou, tal como os protestos contra o mesmo. Sympathy for the Devil dos Rolling Stones, The Pusher dos Steppenwolf, For What it's Worth de Buffalo Springfield, Ball of Confusion (That's What the World Is Today) dos The Temptations e Run Through the Jungle dos Creedence Clearwater Revival, são algumas das “pérolas”.

Resumindo e baralhando, Tempestade Tropical é um entretenimento garantido, que faz reviver aos maiores cinéfilos, os grandes clássicos de guerra que a indústria já produziu, com destaque para os filmes sobre o Vietname, uma guerra difícil de esquecer para os norte-americanos e que marcou mediaticamente o século XX.

Classificação: **** - Muito bom

Curiosidades sobre o filme: A ideia de fazer este filme ocorrera a Ben Stiller durante a rodagem do filme O Império do Sol (1987), de Steven Spielberg, onde o actor desempenhara um pequeno papel.




Título: As Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin)

Ano: 1987

Realização: Wim Wenders

Elenco: Bruno Ganz, Solveig Dommartin, Otto Sander, Curt Bois e Peter Falk

Género: Drama e Fantasia

País: República Federal da Alemanha, França

Produção: Anatole Dauman, Ingrid Windisch e Wim Wenders

Argumento: Peter Handke, Richard Reitinger e WimWenders

Música: Jürgen Knieper

Fotografia: Henri Alekan

Montagem: Peter Przygodda

Sinopse/Crítica: Berlim, 1987. O Muro continua a dividir a cidade e as memórias da guerra continuam a fazê-la tremer. Anjos vagueiam pelos seus céus. Observando e escutando, como se pudessem ler os seus pensamentos, eles confortam e acarinham as pessoas, mesmo sendo incapazes de ter qualquer interacção física com elas. Ao apaixonar-se por uma trapezista dum circo em decadência, um dos anjos, Damiel (Bruno Ganz), deseja tornar-se mortal e experimentar todas as sensações humanas.

Este é o ponto de viragem deste drama fantástico do alemão Wim Wenders, que mostra-nos uma Berlim nos seus últimos anos de Guerra Fria, cansada, desgastada, nostálgica. Uma nostalgia de paz, relembrada pelo personagem do velho, que procura num descampado, aquilo que outrora fora a praça Potsdamer, onde ele costumava beber o seu café e fumar o seu charuto. Memórias dum espaço que desapareceu com a guerra.

Wenders explora (e muito bem) visualmente todos os recantos da cidade e das suas pessoas, através do ponto de vista dos anjos. É aqui que se encontra a característica visual principal do filme. O contraste do ponto de vista dos anjos, num tom monocromático sépia, mudando para a cor, quando se passa para o ponto de vista humano. Um jogo cromático interessante para justiçar a falta de sensações humanas por parte dos anjos.

Um outro aspecto interessante é quando o anjo Damiel se torna finalmente humano, a sua passagem para o mundo terreno é feita dentro do Muro de Berlim, como se o Muro funcionasse como purgatório, mas ao contrário, do Céu para a Terra.

Peter Falk, que faz dele próprio no filme, está em Berlim para participar num filme sobre o Nazismo em Berlim. É ele que assiste Damiel na transição para a vida terrena, dizendo-lhe que já fora um anjo e que renunciara a imortalidade para poder experienciar os simples prazeres da vida na Terra, como fumar um cigarro ou beber um café acabado de fazer.

Der Himmel über Berlin, não é mais do que uma celebração ao desejo, à esperança, ao amor, à vida, à liberdade, à realidade e a existência, numa cidade que muito sofreu com a falta destes atributos num passado recente.

Classificação: ***** - A não perder

Curiosidades sobre o filme: Este filme, tal como muito outros, sofreu um remake americano, intitulado A Cidade dos Anjos (1998), com Nicolas Cage e Meg Ryan.


Legenda:

*- Mau

** - A ver

*** - Bom

**** - Muito bom

***** - A não perder

(Textos publicados na edição de 08 de Outubro de 2008 do jornal Carteia.)

sábado, 24 de maio de 2008

Crítica Cinematográfica nº 3.


As Asas do Desejo (1987), de Wim Wenders

Berlim, 1987. O Muro continua a dividir a cidade e as memórias da guerra continuam a fazê-la tremer. Anjos vagueiam pelos seus céus. Observando e escutando, como se pudessem ler os seus pensamentos, eles confortam e acarinham as pessoas, mesmo sendo incapazes de ter qualquer interacção física com elas. Ao apaixonar-se por uma trapezista dum circo em decadência, um dos anjos, Damiel (Bruno Ganz), deseja tornar-se mortal e experimentar todas as sensações humanas.
Este é o ponto de viragem deste drama fantástico do alemão Wim Wenders, que nos mostra uma Berlim nos seus últimos anos de Guerra Fria, cansada, desgastada, nostálgica. Uma nostalgia de paz, relembrada pelo personagem do velho, que procura num descampado, aquilo que outrora fora a praça Potsdamer, onde ele costumava beber o seu café e fumar o seu charuto. Memórias dum espaço que desapareceu com a guerra.
Wenders explora (e muito bem) visualmente todos os recantos da cidade e das suas pessoas, através do ponto de vista dos anjos. É aqui que se encontra a característica visual principal do filme. O contraste do ponto de vista dos anjos, num tom monocromático sépia, mudando para a cor, quando se passa para o ponto de vista humano. Um jogo cromático interessante para justiçar a falta de sensações humanas por parte dos anjos.
Um outro aspecto interessante é quando o anjo Damiel se torna finalmente humano, a sua passagem para o mundo terreno é feita dentro do Muro de Berlim, como se o Muro funcionasse como purgatório, mas ao contrário, do Céu para a Terra.
Peter Falk, que faz dele próprio no filme, está em Berlim para participar num filme sobre o Nazismo em Berlim. É ele que assiste Damiel na transição para a vida terrena, dizendo-lhe que já fora um anjo e que renunciara a imortalidade para poder experienciar os simples prazeres da vida na Terra, como fumar um cigarro ou beber um café acabado de fazer.
Der Himmel über Berlin, não é mais do que uma celebração ao desejo, à esperança, ao amor, à vida, à liberdade, à realidade e a existência, numa cidade que muito sofreu com a falta destes atributos num passado recente.



(17-11-2007)